“NÃO NOS PODEMOS ESQUECER QUE NESTE PAÍS O PROVISÓRIO PASSA FACILMENTE A DEFINITIVO.”

Foi a resposta do movimento Juntos Pelo Sudoeste (JPS) às últimas declarações de Luís Mesquita Dias, presidente da Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores do Sudoeste Alentejano (AHSA), num comunicado de imprensa divulgado hoje, dia 4 de maio.

Os holofotes têm estado em Odemira durante as últimas semanas devido à crise social e ambiental neste concelho.
Segundo a International Labour Organization, em 2016, 40.3 milhões de pessoas são escravizadas, das quais 24.9 milhões são trabalhadores forçados. Ainda sendo dados antigos, Odemira poderia já pertencer a esta estatística.

De acordo com o jornal Expresso, este processo no nosso concelho começa pela importação de mão de obra estrangeira por grupos de pequenos empresários indianos, de momento (antigamente os empresários eram do Leste Europeu).
Estes trabalhadores não são inscritos na Segurança Social, mas são obrigados a descontar, ou seja, a pagar o valor do IVA aos responsáveis pela sua importação criminosa. Não tendo, as vítimas, um contacto direto com os seus empregadores agrícolas – na medida em que são, em termos burocráticos, invisíveis – não têm outra opção que não a de compactuar com este sistema. São plenamente dependentes, sem liberdade de escolha.

O Expresso refere, no mesmo artigo, o valor dos arrendamentos feitos aos migrantes por parte de senhorios locais – “T2 e T3 por 100 a 150 euros à cabeça, a grupos de dez a trinta pessoas”.

Em comunicado de imprensa, o movimento Juntos Pelo Sudoeste (JPS) confronta a AHSA, não descurando a negligência por parte do Estado face à (falta de) fiscalização dos terrenos. Realçam ainda a inconsonância relativamente às propostas de construção de “centenas de aldeias de contentores”, que poderão levar a “situações mais graves e degradantes”, frisando que “Não nos podemos esquecer que neste país o provisório passa facilmente a definitivo”.

O movimento tem tido voz ativa nas questões ambientais e sociais da Costa Vicentina, denunciando às entidades responsáveis, através de comunicados e conteúdo, as falhas sistémicas da nossa região.
Deixamos um vídeo produzido pela JPS em 2020 sobre o “Avanço descontrolado da agricultura intensiva no Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina”. e o Comunicado de Imprensa na íntegra

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