• Em 2024, havia 2 401 linces-ibéricos na Península Ibérica, 1 557 adultos ou subadultos e 844 crias nascidas em liberdade, segundo o Censo de Lince-Ibérico 2024.
• São mais 400 exemplares em comparação com 2023 e mais 1 546 exemplares
relativamente a 2019, um aumento de 280% face a 2019.
22 de maio de 2025 – O lince-ibérico superou a barreira dos 2 400 exemplares no
ano passado, segundo os dados do Censo de Lince-Ibérico (Lynx pardinus) 2024, um
novo máximo desde que se realiza um seguimento das suas populações e um
aumento de 280% face a 2019. Uma boa notícia no dia em que se assinala o Dia
Internacional da Biodiversidade, que este ano tem como tema a harmonia com a
natureza e o desenvolvimento sustentável.
O relatório documenta que são 2 401 o total de linces recenseados, distribuídos por
Espanha (2 047, 85,3%) e por Portugal (354, 14,7%), dos quais 1 557 são adultos ou
subadultos e 844 são crias nascidas em liberdade.
O número de fêmeas reprodutoras ou territoriais em 2024 ascende a 470, mais 64
do que em 2023, mantendo assim a tendência de aproximação às 750 fêmeas
reprodutoras que se estabeleceu como um dos objetivos demográficos a alcançar
para considerar que o lince se encontrará num estado de conservação favorável.
A expansão territorial do lince também prosseguiu em 2024, com um total de 17
núcleos com reprodução confirmada e 22 núcleos com presença estável.
Já a reprodução em cativeiro permitiu a libertação de 403 linces nascidos em
cativeiro desde 2011 até 2024. Em 2025 soltaram-se mais 21 linces nascidos ainda
em 2024, elevando para 424 o total de linces nascidos em cativeiro e libertados na
Península Ibérica.
Para estes resultados contribuem os trabalhos dos quatro centros de reprodução
exclusiva de lince-ibérico em cativeiro e um centro associado, na Península Ibérica.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas gere o centro português
(CNRLI), situado em Silves, estando os outros quatro situados no sul de Espanha.
Os resultados mostram que a recuperação da população de lince-ibérico na
Península Ibérica constitui um dos melhores exemplos de ações de conservação de
espécies ameaçadas no mundo, só possível graças aos esforços continuados das
administrações públicas competentes, de entidades setoriais interessadas,
proprietários e gestores de herdades privadas e pela sociedade em geral. A
contribuição financeira das administrações espanholas e portuguesa e da União
Europeia, através do programa LIFE, constituíram condições chave para a execução
dos trabalhos de seguimento e investigação e para a melhoria das taxas de
sobrevivência, reprodução e reabilitação do habitat.
Recorde-se que já em 2024 o lince-ibérico deixou de ser considerado uma espécie
“Em Perigo” de extinção a nível ibérico pela União Internacional para a Conservação
da Natureza (UICN), passando a ter uma classificação de “Vulnerável” na Lista
Vermelha de Espécies Ameaçadas.
O Censo de Lince-Ibérico 2024 foi elaborado pelo Grupo de Trabalho do Lince-
Ibérico, que coordena este tema no âmbito do Ministério espanhol para a Transição
Ecológica e o Desafio Demográfico (MITECO) e é composto por representantes das
comunidades autónomas de Espanha e do Instituto da Conservação da Natureza e
das Florestas (ICNF) de Portugal. Os resultados podem ser consultados online.