Portugal atribui “Visto Framboesa” para exportar fruta barata

Do Movimento Juntos pelo Sudoeste recebemos o seguinte comunicado de imprensa que publicamos na íntegra.

Depois das reportagens publicadas na Der Spiegel, a mais prestigiada revista de informação alemã, e noutros ;tulos neste país (“O visto framboesa”), sobre a desastrosa situação ambiental, social e económica que se vive no Sudoeste português à mercê do agronegócio, o canal franco-alemão ARTE acaba de disponibilizar um documentário que vem expor cruamente a fragilidade de milhares de migrantes de origem asiática a quem Portugal promete um passaporte português em troca de sete anos de trabalho nas explorações de agricultura intensiva, descontos para a Segurança Social e a aprendizagem da língua portuguesa, num “acordo” em que o elo mais fraco são claramente os migrantes.

O documentário mostra as vidas destas pessoas migrantes, suspensas nesse hiato de sete anos de busca pela cidadania portuguesa, frequentemente dependentes de intermediários seus conterrâneos pouco escrupulosos, precariamente empregados nas estufas de pequenos frutos, identificados por número em vez do nome, contratados à jornada, numa assustadora incerteza sobre o dia seguinte, pagos a 4€ à hora e ainda exigindo produtividade. São pessoas que, entre as estufas e as habitações degradadas e insalubres, não veem as suas famílias durante anos a fio, com a esperança de um dia se juntarem no suposto El Dorado que é a Europa, reféns das dívidas que contraíram para conseguir chegar a Portugal, cujo pagamento lhes é descontado no magro salário, chegando a um saldo que pode ser francamente negativo e incluir ameaças à família que ficou para trás.

A reportagem sobre o “visto framboesa”, que Portugal “oferece” para conseguir exportar fruta barata, mostra também como a única empresa que permitiu filmagens está tão preocupada com produtividade eficiência e números, como desligada da responsabilidade pela sua força de trabalho, subcontratada a intermediários, garantindo contudo que os descontos para a segurança social são efectuados e acreditando mesmo na capacidade destes trabalhadores se defenderem caso sofram de algum $po de exploração.

Esta reportagem é mais um passo para divulgar na Europa de que modo são produzidos os apetecíveis frutos vermelhos, endeusados pelas dietas da moda e que se até há pouco tempo estavam disponíveis de acordo com a sua sazonalidade, encontram-se hoje em dia nas prateleiras dos supermercados durante todo ano, para satisfazer os pequenos-almoços fartos dos europeus do centro e norte da Europa. A história que falta contar é de facto que a disponibilidade constante de determinados produtos agrícolas é feita à custa de deterioração social e ambiental, inclusive da “plastificação” de uma faixa costeira que é, não só protegida por legislação nacional (Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina), como por legislação europeia (Rede Natura 2000) e, se ambas $vessem sido rigorosamente cumpridas, nunca se teria chegado a este ponto.

Não suficiente, a apetência do mercado internacional por produtos supérfluos como os frutos vermelhos, as
saladas embaladas pré-lavadas, tapetes de relva, plantas ornamentais ou flores de corte está a condenar toda a região do Sudoeste de Portugal a uma assustadora escassez de água, bem essencial também ele capturado pela obsessão da agricultura intensiva de regadio, que usa já 91% da água da barragem de Santa Clara. Esta mesma barragem fornece os concelhos de Odemira e Aljezur e estava no final de Setembro a 43,6% da sua capacidade máxima, quando a média é de 70%.
Este ímpeto do agronegócio só é possível porque o Estado português abdicou e continua a abdicar de cuidar
e vigiar partes muito significativas do seu território, favorecendo a instalação de interesses económicos que não devolvem nada à região e que estão em completa contradição com os valores que se pretendem proteger e com a realidade de uma situação imparável de seca, agravada pela crise climática.

Link para Vídeo:
hsps://www.youtube.com/watch?v=7Ak4Fj9Szg4&feature=youtu.be
Link para Campanha de crowdfunding:

hsps://www.gofundme.com/f/ajude-a-protejer-o-pnsacv?utm_medium=email&utm_source=product&ut-
m_campaign=p_email+3201-24hr-reminder-v5

Documentario Oficina de Luz:
hsps://www.youtube.com/watch?v=ZToXYc405sM