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CULTURA: Prémio Internacional Terras sem Sombra regressa para distinguir música, património, ciência e serviço público

Publicada em: 14/03/2026 14:59 -

O Festival Terras sem Sombra (TSS) anuncia o regresso de um dos momentos mais marcantes do seu calendário anual: a cerimónia de entrega do Prémio Internacional Terras sem Sombra, que agracia cinco personalidades, uma portuguesa e quatro estrangeiras.

Instituído em 2011, este prémio destina-se a homenagear figuras ou instituições que se tenham salientado, a nível global, em diferentes áreas de atuação do Festival.

Entre as novidades, sublinha-se a introdução de duas novas categorias — Serviço à Comunidade/Cooperação Internacional e Sons sem Sombra/Novos Talentos —, que se juntam às três já existentes (Música, Património e Biodiversidade).

O palco escolhido para o grande momento, a 28 de março (17h00), é o Auditório Municipal António Chainho, em Santiago do Cacém, numa cerimónia organizada em parceria com o Município local e que é presidida pela infanta D. Maria Francisca de Bragança, duquesa de Coimbra.

Cada premiado receberá uma obra de arte pensada especificamente para o seu percurso pela consagrada artista plástica Tânia Gil, natural de Porto Covo, e cujo trabalho cruza pintura, desenho e instalação, valorizando a relação entre matéria, memória e território.

«Hoje, em Portugal, não se cultiva nem a gratidão, nem o mérito. Estes valores não se apagaram, mas estão algo esquecidos. Tudo, ou quase tudo, passa depressa e acaba por gerar indiferença. No Festival Terras sem Sombra, rumamos contra a corrente. O Prémio Internacional é um exemplo disso», sublinha José António Falcão, diretor-geral do TSS.

«Estamos muito satisfeitos pelo facto do Prémio ser presidido pela infanta D. Maria Francisca, uma jovem empenhada e sensível. Trata-se de um sinal de renovação do Terras sem Sombra, agora com um formato mais amplo», acrescenta.

«A diversidade dos premiados mostra até que ponto o cosmopolitismo e a ruralidade convergem, na perfeição, no Alentejo. Se o passado já nos ensinava isso, a região ganha, agora, uma lufada de ar fresco», conclui.

Para Bruno Gonçalves Pereira, presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, «o regresso do Festival Terras sem Sombra entusiasma, como a volta do “filho pródigo”, algo que nunca devia ter deixado de fazer parte da esfera do concelho, tendo aqui um dos seus pontos altos».

Este é, segundo o autarca, «um festival com músicos que habitualmente não atuam fora dos grandes centros culturais da Europa e do mundo», salientando a «reconhecida excelência e virtuosa performance» de um projeto que «pensa o território e a biodiversidade, alarga horizontes, potencia o desejo de sermos melhores e tem qualidade, como queremos que Santiago tenha sempre».

A encerrar a cerimónia, decorre um piccolo concerto em dois momentos: «A Vida em 88 Teclas: Peças que Marcaram a Minha Trajectória», pelo pianista Josep Colom; «Merci: Palavras sob a Forma de Música», pela acordeonista Judith Tahan.

Um painel de premiados que espelha diversidade e excelência

Este ano, no que toca aos premiados, na categoria de Música, a distinção recai sobre o reputado pianista espanhol Josep Maria Colom.

O galardão referente ao Património é entregue ao divulgador cultural castelo-vidense Carolino Tapadejo.

Por seu turno, a distinção na categoria Biodiversidade cabe à investigadora francesa Lauriane Mouysset.

O diplomata checo Martin Pohl recebe o agora instituído prémio de Serviço à Comunidade/ Cooperação Internacional e a acordeonista francesa Judith Tahan é distinguida com o também novo prémio Sons sem Sombra/ Novos Talentos.

Sul Informação
Josep Maria Colom

Nascido em Barcelona em 1947, Josep Maria Colom afirmou-se como um dos pianistas espanhóis mais reconhecidos da sua geração. Ganhou projeção internacional com as vitórias nos concursos de Jaén (1977) e Santander (1978).

Desde então tem colaborado com as principais orquestras espanholas e apresentado recitais em numerosos festivais. Estudou na École Normale de Musique de Paris e desenvolveu uma discografia dedicada a autores como Brahms, Mompou, Chopin ou Debussy. Laureado com o Prémio Nacional de Música de Espanha, mantém igualmente atividade pedagógica e criativa.

Sul Informação
Carolino Tapadejo

Carolino Coimbra Pina Tapadejo nasceu em Castelo de Vide em 1947, iniciando jovem o ofício de ferreiro na oficina do pai. Após o 25 de Abril, desempenhou funções autárquicas, tendo sido presidente da Câmara Municipal entre 1980 e 1989.

Destacou-se pela defesa pioneira da conservação da natureza, embargando a plantação de eucaliptos no concelho.

Investigador da história local, tem dedicado especial atenção ao património judaico da vila, alargando este labor a diversos pontos de Portugal e Espanha. O seu percurso cívico e cultural foi distinguido com várias condecorações nacionais e internacionais.

Sul Informação
Lauriane Mouysset

Lauriane Mouysset é investigadora do CNRS no CIRED, em Paris, dedicada à economia da biodiversidade e à sustentabilidade. Formada pela École Normale Supérieure, doutorou-se em Ecologia e desenvolveu investigação na Universidade de Cambridge.

O seu trabalho articula economia, ecologia e filosofia na análise das relações entre a sociedade e os sistemas naturais. No CIRED criou o grupo BIOECON, centrado nas interações entre dinâmica ecológica e sistemas económicos. Em 2024 recebeu a Medalha de Bronze do CNRS pelo destaque da sua investigação.

Sul Informação
Martin Pohl

Nascido em 1967 em Klatovy, Martin Pohl é diplomata de carreira da República Checa. Formado em Engenharia Agronómica e Gestão, em Praga, ingressou no serviço diplomático no final da década de 1990. Foi embaixador na África do Sul (2007-2011) e na Austrália (2014-2018).

Entre 2018 e 2022 dirigiu o Serviço Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros checo. Desde 2022 exerce funções como embaixador da República Checa em Portugal.

Sul Informação
Judith Tahan

Judith Tahan nasceu em Troyes, em 2007, e iniciou o estudo do acordeão aos seis anos. Formou-se em vários conservatórios franceses e obteve em 2024 o Diploma de Estudos Musicais em acordeão no Conservatório de Mulhouse.

Apesar da juventude, foi distinguida em concursos internacionais e apresentou-se como solista com orquestra. Paralelamente ao repertório clássico, participou em projetos de música tradicional. Prossegue atualmente estudos no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris.

Em 2019, na última vez em que os prémios foram atribuídos, numa cerimónia presidida por D. Afonso de Bragança, Duque de Lafões, foram galardoados a cantaora espanhola Carmen Linares (Música), o arquiteto e artista plástico João de Almeida, (Património) e o Jardim Botânico Nacional Grandvaux Barbosa, em Cabo Verde (Biodiversidade). A entrega de galardões decorreu na vila alentejana de Campo Maior.

Em 2026, o TSS decorre até dezembro sob o tema «“Alegres Campos, Verdes Arvoredos”: Música e Biosfera (Da Idade Média à Criação Contemporânea)».

Ferreira do Alentejo é a próxima etapa, a 18 e 19 de abril, com destaque para o concerto no Lagar do Marmelo, com a apresentação d’«O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra, de Camille Saint-Saëns».

A 22.ª temporada do TSS conta com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes e do BPI-Fundação «La Caixa», além da colaboração da Administração dos Portos de Sines e do Algarve.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO ALENTEJO

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