ECONOMIA: Empresas querem expandir área de exploração experimental de minerais no Alentejo

Publicada em: 21/04/2026 07:32 -

Dois pedidos de atribuição de direitos de exploração experimental de depósitos minerais em cinco concelhos do distrito de Beja, apresentados pelas empresas Almina e Somincor, que preveem investir pelo menos 7,9 milhões de euros nas suas intervenções, estão a ser alvo de discussão pública no site Participa.pt desde esta segunda-feira, dia 20 de Abril.

A Almina – Minas do Alentejo pretende realizar «trabalhos no âmbito da exploração experimental de depósitos minerais de ouro, prata, cobre, chumbo, zinco, estanho e metais associados», na área denominada de “Albernôa”.

Trata-se de uma área com 237.635 km2, nos concelhos de Aljustrel, Beja, Castro Verde e Mértola, lê-se nos documentos disponíveis naquele site, e consultados pelo Sul Informação.

Este pedido «é efetuado no seguimento de duas descobertas que intersetaram zonas de sulfuretos maciços», ocorridas no setor do Azinhal e no setor da Malhadinha de Torres.

Justifica-se assim «a continuação dos trabalhos neste setor, de forma a validar todo o seu potencial geológico e mineiro», acrescenta a empresa que tem sede em Aljustrel.

O polígono de Albernoa foi alvo de sucessivas campanhas de prospeção e pesquisa que resultaram «num conjunto relativamente alargado de informação geológica, geofísica e geoquímica», permitindo «a reavaliação de dados com objetivo de definir novos alvos».

«Na área de Albernoa, o potencial para novas ocorrências de minerais metálicos com interesse económico é bastante elevado, como confirmado pelas duas descobertas acima mencionadas (Azinhal e Torres). O contexto geológico em que essas descobertas ocorreram é distinto, mas em ambas foi possível identificar o horizonte mineralizante (…). Assim, continua a existir um enorme potencial para novas descobertas e ocorrências nesta área», reforça a Almina.

Os trabalhos propostos incluem a execução de sondagens carotadas, perfazendo um mínimo de 25.000 metros; a caracterização geológica, geofísica, geoquímica e geotécnica; o reprocessamentos de dados geofísicos; a redefinição do modelo geológico nos setores do Roxo e Píncaros.

O orçamento mínimo proposto para a realização destes trabalhos, nos três primeiros anos, é de 6,9 milhões de euros e, em caso de prorrogação por mais dois anos, de acordo com os resultados obtidos na primeira fase, serão gastos mais 2,3 milhões.

A Somincor – Sociedade Mineira de Neves-Corvo apresentou, por seu turno, um pedido de atribuição de direitos de exploração experimental de depósitos minerais metálicos de cobre, zinco, chumbo, estanho, prata, ouro e outros metais associados, na área designada “Neves”.

Está em causa uma área de 72,66 km2, situada nos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Mértola, «envolvendo o couto mineiro de Neves-Corvo», onde já explora atualmente minérios de sulfuretos maciços e stockworks associados a rochas CVS e PQ, produzindo concentrados ricos em cobre, zinco e chumbo.

«A região indicada pela Somincor apresenta um elevado potencial mineiro», lê-se nos documentos disponíveis no Participa.

O plano de trabalhos da empresa prevê a análise integrada e reinterpretação de dados geofísicos; o reprocessamento de dados sísmicos 3D de elevada resolução; o reprocessamento de dados eletromagnéticos obtidos em levantamentos terrestres; a modelação 3D das estruturas geológicas e tectónicas; e a hierarquização de alvos e seleção de setores a investigar por sondagens mecânicas.

«Serão efetuados 5.000 metros de perfuração ao longo de três anos de atividade», lê-se no parecer do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.

Está previsto um investimento de 1 milhão de euros para um período inicial de três anos.

O período de participação pública dos dois processos decorre durante 30 dias úteis, entre 20 de Abril e 1 de Junho, no portal Participa. Os interessados podem consultar os documentos naquele site ou no site da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

As duas empresas vão promover, «pelo menos, uma sessão pública de esclarecimento», nos municípios e freguesias abrangidas, dirigidas à população local, segundo os editais da DGEG.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO ALENTEJO

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