Mais de dois terços das empresas agrícolas do sudoeste alentejano anteveem dificuldades de contratação de mão-de-obra na próxima campanha, a maioria delas devido às alterações introduzidas na legislação da imigração, segundo um estudo hoje divulgado.
Segundo o inquérito anual aos seus associados, promovido pela Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA), na base desta previsão estão as alterações legislativas na lei da imigração.
O estudo, ao qual a agência Lusa teve hoje acesso, abrange mais de 30 empresas hortofrutícolas portuguesas da região do sudoeste alentejano, tendo o período de auscultação decorrido entre 18 de agosto e 15 de novembro de 2025.
«Mais de dois terços das empresas do setor agrícola do sudoeste alentejano preveem enfrentar dificuldades no recrutamento de mão-de-obra na próxima campanha», pode ler-se no documento.
E, no seio destas, para 33%, ou seja, para um terço, o que está em causa é a «complexidade burocrática dos processos de regularização e contratação de imigrantes».
Luís Mesquita Dias, presidente da AHSA, citado no comunicado relativo ao estudo, admitiu que «as alterações legislativas na área da migração eram necessárias e fazem sentido, contribuindo para um enquadramento mais estruturado e equilibrado».
No entanto, ressalvou, «trazem consigo desafios operacionais e um período de adaptação que está a dificultar o acesso a trabalhadores estrangeiros, essenciais para a atividade».
«É importante garantir que este processo decorre com eficácia, minimizando impactos na capacidade de resposta das empresas no curto prazo», defendeu Luís Mesquita Dias.
Entre as empresas inquiridas que preveem dificuldades na captação de trabalhadores na próxima campanha, 14% apontaram como razão a «procura por melhores condições de vida e de trabalho noutros locais e países» e outras 14% aludiram ao «desequilíbrio entre a oferta e a procura».
Já 9,5% das empresas referiram a «falta de alojamento» no sudoeste alentejano como fator que dificulta a contratação de mão-de-obra.
O documento aponta ainda para «a forte dependência de mão-de-obra» estrangeira neste setor, já que 74% das organizações têm «mais de metade dos seus postos de trabalho preenchidos por imigrantes» e a maioria (55%) registam «uma proporção superior a 75%».
O inquérito aponta igualmente que «mais de 60% das empresas espera um aumento» do volume total de negócios durante a próxima campanha agrícola e «29% antevê estabilidade», pode ler-se.
O mesmo se verifica em relação «às previsões do valor das exportações, com mais de metade das empresas» a antever «uma subida», enquanto 32% dos associados prevê uma estabilidade.
O inquérito sublinha ainda a forte vertente exportadora da agricultura do sudoeste alentejano: «65% das empresas exportam mais de 70% da produção, número que ascende a 77% no caso das que exportam mais de 40%».
O presidente da AHSA realçou que estes dados confirmam «um setor dinâmico e resiliente, com perspetivas de crescimento ao nível do volume de negócio e das exportações».
Segundo o documento, que obteve uma taxa de resposta de 80%, França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha surgem em destaque como os principais mercados.
A maioria das empresas avalia positivamente os resultados de 2025, com 75% a indicar que o desempenho ficou em linha com as expectativas ou superou o previsto.
«Os dados evidenciam também que a maioria das empresas (81%) apresenta um volume de negócio anual superior a um milhão de euros e 45% mais de cinco milhões de euros», sublinhou.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO
