Por Edgar Pires
Está em consulta pública, até 24 de Junho, o Plano Municipal de Ação Climática de Odemira (PMAC-O), que apresenta um conjunto de 79 medidas para, até 2050, fazer frente às alterações climáticas num «território multirriscos», disse o presidente da Câmara.
O plano, que «nasce de uma obrigação legal» emanada pela Lei de Bases do Clima, reúne «um conjunto de medidas e ações muito importantes, de adaptação e mitigação», como resposta às alterações climáticas no maior concelho, em extensão, do país.
«Somos um território multirriscos, com um conjunto cumulativo de riscos significativos em várias áreas», disse Helder Guerreiro, em declarações ao Sul Informação sobre o plano, que entrou em discussão pública esta semana, após publicação do aviso em Diário da República.
Além da vasta área de costa e dos «recursos hídricos» ligados à barragem de Santa Clara e ao rio Mira, há «uma complexa orografia no sul do concelho», em zonas com «elevado risco de incêndios», elencou o autarca.
Entre os «eventos extremos» que afetaram Odemira nos últimos anos, Helder Guerreiro recordou o grande incêndio de 2023, que consumiu mais de 7 mil hectares, ou as intempéries associadas a depressões que causaram estragos nos primeiros meses de 2026.
Por outro lado, o inventário de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) referente ao ano de 2023 indica que o município tenha emitido cerca de 241.060 toneladas de dióxido de carbono equivalente, com o setor da agricultura, floresta e outros usos do solo a ser o principal responsável (67,21% do total).
O plano tem duas fases de implementação, com medidas de curto prazo, até 2030, para a adaptação, e medidas de longo prazo, até 2050, para a mitigação, «coladas» com outros planos operacionais de nível local, regional e nacional, para responder a estas «questões fundamentais», considera Hélder Guerreiro.
A estratégia está assente em 79 medidas, das quais 37 são de mitigação, 41 de adaptação e 1 com caráter transversal.
«Estas medidas visam, por um lado, potenciar a redução de emissões associadas à agricultura e floresta do município, reduzir o consumo energético e promover fontes renováveis. Por outro lado, procuram também reforçar a capacidade adaptativa do território e da população para enfrentar fenómenos climáticos extremos, através de soluções baseadas na natureza, eficiência na gestão de recursos e capacitação institucional», lê-se, no documento.
O presidente da Câmara de Odemira destaca as medidas ligadas «à rede hidrológica» e aos recursos hídricos, «dando mais resiliência na resposta a fenómenos extremos» como cheias e inundações.
A melhoria da eficiência energética em edifícios e iluminação pública, a criação de comunidades de energia renovável, a renovação da frota municipal, a valorização da rede de transportes públicos, a redução de resíduos enviados para aterro, a promoção da compostagem e reciclagem, a reabilitação de infraestruturas de retenção e transporte de água, a arborização urbana, a estabilização de arribas, ações de sensibilização para a proteção da floresta são algumas das ações apontadas.
A implementação do plano será acompanhada por um sistema de monitorização «robusto», que inclui relatórios anuais, a atualização regular do inventário de emissões e uma revisão estratégica prevista para 2035.
«Este acompanhamento permitirá ajustar o plano à medida que evoluem as condições locais, as orientações políticas e os avanços tecnológicos», indica o documento.
O Plano Municipal de Ação Climática (PMAC), aprovado na reunião de Câmara de 30 de Abril, está em consulta pública até 24 de Junho.
Durante este período, o documento pode ser consultado nos serviços de atendimento ao público da autarquia, nos dias úteis, entre as 9h00 e as 16h00, bem como no site do município de Odemira e no portal Participa.
As sugestões deverão ser apresentadas em requerimento dirigido ao presidente da Câmara Municipal de Odemira, devidamente identificado, podendo ser entregues no Balcão Único do município, remetidas por correio (Praça da República, 7630-139 Odemira), ou enviadas por correio eletrónico para geral@cm-odemira.pt.
Edgar Pires
O sonho de ser jornalista já tinha anos e só se fortaleceu no ensino secundário, com a passagem pelo Preto no Branco, o jornal escolar da Escola Secundária João de Deus, em Faro. Até fui diretor – sob a particular orientação do eterno Professor Amílcar Quaresma. Era impossível rejeitar um convite para me iniciar “a sério”. Foi o que aconteceu, após concluir o 12º ano. Aos 18 anos, era apenas um estágio de três meses, mas foi no Diário do Sul/Algarve – saía para as bancas cinco vezes por semana, de segunda a sexta-feira –, que se confirmou o que eu queria ser quando fosse grande. Já lá vão mais de duas décadas. Entretanto, já passei por vários meios regionais e nacionais – Região Sul, Record, Agência Lusa e Jornal de Notícias – e, desde o verão de 2024, estou também no Sul Informação.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO
