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OPINIÃO: Volta Agosto, estás Perdoado!

OPINIÃO: Volta Agosto, estás Perdoado!

Por Cláudio Lima 

Há um mês em que o Algarve se transforma: estradas entupidas, praias lotadas, o Aeroporto de Faro a fervilhar de gente. É o auge de uma economia que vive do turismo – e também o mês que os algarvios mais temem, pela alteração dos seus hábitos quotidianos. Mas sem o mês de Agosto, a região não sobreviveria como a conhecemos.

Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística), o Algarve registou 20,8 milhões de dormidas em 2025 — um crescimento de apenas 0,4% em relação a 2024 (quando tinha subido 1,9% face a 2023) – confirmando um abrandamento que já se prolonga por dois anos. Ainda assim, os proveitos totais continuaram a subir de forma consolidada, atingindo cerca de 1,8 mil milhões de euros (+6,5%), sinal de que o valor gerado por dormida aumenta mesmo com o volume a estagnar.

No transporte aéreo, Faro ultrapassou pela primeira vez os 10 milhões de passageiros em 2025, com 10,4 milhões — o Reino Unido foi o principal mercado, com 46% do tráfego. E, mantendo a tendência dos primeiros oito meses de 2026, tudo indica que este ano voltaremos a superar esse patamar.

A nível nacional, segundo o WTTC (World Travel & Tourism Council), o turismo contribuiu com 36,2 mil milhões de euros para a economia portuguesa em 2025 (11,8% do PIB). No Algarve, dados preliminares do INE (Contas Regionais) apontam para um crescimento real de 3,3% em 2023, elevando o peso da região para 4,92% do PIB nacional.

Ainda segundo o INE, entre turistas residentes o Algarve foi em 2025 a única região a ultrapassar os 50% de sazonalidade (55,9%) – muito acima de Lisboa (28,0%) – tendência já visível em 2023 (56,1%).

A dependência de poucos mercados agrava o quadro: em 2025, o Algarve concentrou 57,3% das dormidas de britânicos e 73,1% das de irlandeses em Portugal, com uma dependência externa global de 75,3% (INE). No mercado de trabalho, o IEFP registou uma queda de 23,3% no desemprego na preparação do verão – contrapondo subidas de cerca de 60% no inverno.

Há muito que contrariar a sazonalidade é uma prioridade regional e, embora com eficácia limitada, têm-se desenvolvido esforços para o efeito. A ANA anunciou para o próximo verão 86 rotas e 75 destinos a partir de Faro, incluindo Nova Iorque, Helsínquia e Reykjavik – medidas pensadas para reduzir dependências e incrementar a atratividade fora da época balnear.

Os abrandamentos de 2024 e 2025 mostram que o desafio já não é apenas gerir o excesso de Agosto – é replicar esse dinamismo, ainda que mais moderado, em Janeiro ou Novembro.

O Algarve precisa de mais “Agostos” e menos “Janeiros” se quiser estabilizar um modelo económico mais sustentável, capaz de gerar maior riqueza para toda a região, todos os meses do ano, e assim ser mais atrativo, quer na geração de emprego, quer nas condições de habitabilidade que oferece.

Por tudo isto: Volta Agosto. Estás perdoado!

Nota: artigo publicado ao abrigo do protocolo entre o Sul Informação e a Delegação do Algarve da Ordem dos Economistas

Cláudio Lima 

Cláudio Lima é presidente da Direção Regional do Algarve da Ordem dos Economistas. É Contabilista Certificado e Consultor especializado em gestão e fiscalidade. Com uma carreira de 30 anos que inclui passagens pela Direção Regional da Fundação da Juventude e pela Região de Turismo do Algarve, destaca-se também pelo seu percurso cívico e político, tendo sido presidente do PSD Loulé entre 2022 e fevereiro de 2026. É membro ativo de diversas instituições regionais, da gastronomia ao desporto, refletindo um compromisso constante com o desenvolvimento do Algarve.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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