Faro e Odemira acolhem encontro ibérico sobre residências para pessoas com deficiência
SOCIEDADE
Como garantir que as respostas residenciais para pessoas com paralisia cerebral respeitam cada vez mais a sua autonomia, os seus direitos e as suas escolhas? Esta é uma das questões que vai estar em debate no encontro do Observatório Ibérico de Residências (OIR), que decorre de 14 a 16 de outubro, em Faro e Odemira, reunindo representantes de 12 instituições portuguesas e espanholas.
A iniciativa é acolhida pela Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Faro (APPC Faro) e pretende promover a troca de experiências, o conhecimento de diferentes modelos de acolhimento residencial e a reflexão sobre os desafios que se colocam às organizações que trabalham com pessoas com paralisia cerebral.
Ao longo de três dias, representantes de 11 instituições visitantes de Portugal e Espanha, às quais se junta a APPC Faro, enquanto entidade anfitriã, vão conhecer diferentes respostas residenciais e discutir formas de melhorar a qualidade dos serviços prestados, colocando as necessidades e os projetos de vida de cada pessoa no centro das decisões.
«As respostas residenciais têm de acompanhar a evolução das necessidades e das expectativas das pessoas com deficiência», defende Ana Luísa Sousa, diretora da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Faro.
Para a responsável, este encontro representa uma oportunidade de aprendizagem e reflexão conjunta, permitindo às instituições avaliar criticamente o trabalho que desenvolvem.
«Esta visita permite-nos conhecer diferentes experiências, questionar as nossas próprias práticas e pensar em conjunto sobre modelos cada vez mais centrados na pessoa, nos seus direitos, nas suas escolhas e no seu projeto de vida», acrescenta.
Ana Luísa Sousa sublinha ainda que «é esta partilha entre organizações de Portugal e Espanha que torna o trabalho do Observatório particularmente importante».
O programa começa na quarta-feira, 14 de outubro, em Faro, com a receção dos participantes no Lar Residencial e na Residência de Autonomização para a Inclusão da APPC Faro.
Durante esta primeira jornada, os representantes das instituições portuguesas e espanholas terão oportunidade de conhecer as instalações, as respostas residenciais disponibilizadas e o trabalho desenvolvido pela associação algarvia.
No dia seguinte, 15 de outubro, o encontro desloca-se ao Baixo Alentejo, mais concretamente a Odemira, onde a Associação de Paralisia Cerebral de Odemira (APCO) preparou um programa destinado a dar a conhecer a sua realidade institucional e residencial.
Esta visita permitirá aos participantes contactar com outras experiências de acompanhamento e apoio às pessoas com paralisia cerebral, identificando práticas que possam contribuir para melhorar as respostas existentes.
O encontro termina na sexta-feira, 16 de outubro, novamente em Faro, com uma reunião de trabalho na sede da APPC Faro.
Esta última sessão será dedicada à partilha de experiências e à reflexão conjunta sobre os desafios que as organizações enfrentam na gestão e desenvolvimento de respostas residenciais.
Promover a autonomia e respeitar as escolhas individuais
Mais do que conhecer instalações e modelos de funcionamento, o encontro pretende aprofundar a discussão sobre a forma como as respostas residenciais podem acompanhar a evolução das necessidades das pessoas com deficiência.
Entre as questões centrais está a importância de desenvolver modelos de apoio que respeitem a individualidade de cada pessoa, valorizem a sua capacidade de decisão e contribuam para uma maior autonomia e inclusão.
Para Paulo Teixeira, presidente da APPC Faro, acolher esta iniciativa representa também uma oportunidade de reforçar o trabalho em rede entre instituições dos dois países.
«Receber este encontro constitui uma oportunidade para dar a conhecer a experiência da Associação, conhecer outros modelos e aprofundar a cooperação entre organizações portuguesas e espanholas que trabalham diariamente para assegurar respostas residenciais adequadas às necessidades das pessoas com deficiência», afirma.
A iniciativa insere-se no trabalho do Observatório Ibérico de Residências, enquanto espaço de cooperação e partilha entre organizações que asseguram respostas residenciais para pessoas com paralisia cerebral.
Ao reunir instituições com diferentes experiências, o encontro pretende contribuir para a identificação de desafios comuns e para a construção de respostas cada vez mais ajustadas às necessidades, expectativas e projetos de vida das pessoas apoiadas.
A realização desta iniciativa em Faro e Odemira permite também dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas associações de paralisia cerebral do Algarve e do Baixo Alentejo, promovendo a troca de conhecimentos com instituições congéneres de Portugal e Espanha.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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