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Rádio RIO Odemira

17 de Outubro é o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza

OPINIÃO

17 de Outubro é o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza

Por Fernando Guimarães

Há dias para tudo. Para celebrar a árvore, a água, a criança, a mulher, a saúde, a paz… e há também o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Um dia muito importante, portanto. Um dia em que, durante algumas horas, a pobreza sobe ao palco, recebe atenção, é devidamente estudada, analisada e embrulhada em palavras bonitas.

Em Portugal, mais de dois milhões de pessoas continuam em risco de pobreza ou exclusão social. Dois milhões. É um número tão grande que quase parece uma estatística inventada para impressionar. Mas não: são pessoas. Pessoas que pagam renda, luz, água, comida e impostos com salários que parecem ter sido desenhados para testar a resistência humana.

Entretanto, as instituições continuam a declarar guerra à pobreza. Uma guerra peculiar, diga-se, porque a pobreza parece ganhar todas as batalhas. Todos os anos é derrotada em comunicados oficiais e reaparece no ano seguinte, fresca e vigorosa, pronta para mais uma comemoração. E assim continuamos.

A pobreza é estudada, monitorizada, debatida, contabilizada e comemorada. Há relatórios sobre a pobreza, estratégias contra a pobreza, programas de combate à pobreza e metas para acabar com a pobreza. Só falta mesmo uma coisa: acabar com ela.

Por isso, no próximo 17 de outubro, lá estaremos. A falar da pobreza. A indignarmo-nos com a pobreza. A prometer combater a pobreza. E, provavelmente, a marcar nova reunião para discutir estratégias destinadas a preparar a próxima reunião onde serão avaliados os resultados da estratégia anterior. Tudo isto com enorme dignidade. E, claro, com muita inclusão.

Só falta mesmo incluir os pobres na parte em que se decide quando é que isto acaba. Porque celebrar a erradicação da pobreza uma vez por ano é fácil. O difícil, aparentemente, continua a ser erradicá-la.

O Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve desempenha um papel importante no combate à pobreza, sobretudo através da redução da pobreza alimentar e da exclusão social.

No entanto, é importante dizer que, por si só, não consegue erradicar a pobreza: atua como uma resposta de apoio às pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade.

Fernando Guimarães

Fernando Guimarães é assessor de Comunicação e Imagem do Banco Alimentar do Algarve.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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