Seguro diz que jovens podem perder confiança em Europa onde não conseguem comprar casa
SOCIEDADE
O Presidente da República advertiu hoje que «uma Europa em que tantos jovens não conseguem aceder a uma casa» arrisca-se a «perder a confiança das novas gerações», ao intervir numa reunião do Grupo de Arraiolos.
Na sua intervenção na sessão plenária do 21º encontro do Grupo de Arraiolos, que decorre na localidade eslovena de Brdo, nos arredores de Ljubljana, na Eslovénia, o chefe de Estado afirmou que «uma Europa que exige aos seus cidadãos confiança, sacrifício e paciência tem de demonstrar que sabe transformar esses esforços em resultados».
«Não podemos pedir aos europeus que escolham a unidade sem lhes mostrar o que essa unidade permite alcançar», disse, advertindo então que «uma Europa em que tantos jovens não conseguem aceder a uma casa, constituir família ou acreditar que o seu trabalho lhes permitirá viver melhor arrisca-se a perder a confiança das novas gerações».
Seguro, que, numa breve declaração protocolar à chegada à reunião de Brdo, para a sua estreia em reuniões do grupo informal de chefes de Estado da União Europeia sem poder executivo, já defendera «uma melhor cooperação e mais integração política» na Europa, em domínios como a habitação, energia e segurança e defesa, centrou a sua intervenção em torno desta ideia.
«Há momentos na história em que as nações têm de decidir se querem ser conduzidas pelos acontecimentos ou se estão dispostas a fazer a história. Creio que a Europa chegou a um desses momentos», afirmou, de acordo com a sua intervenção na sessão plenária, realizada à porta fechada, mas disponibilizada aos jornalistas.
«A guerra voltou ao nosso continente. A paz, que durante décadas muitos europeus tomaram como garantida, voltou a exigir determinação, recursos e coragem. A competição entre potências tornou-se mais dura. A nossa capacidade económica e tecnológica está sob pressão. E, dentro das nossas sociedades, cresce a inquietação de cidadãos que trabalham, cumprem as suas obrigações e, ainda assim, sentem que o futuro se tornou mais difícil de alcançar», afirmou.
De acordo com o Presidente da República, «perante esta realidade, a Europa tem de fazer uma escolha», entre continuar a discutir as suas divergência e adiar as decisões mais difíceis ou reconhecer que a sua segurança, prosperidade e liberdade dependem da capacidade de agir de forma determinada.
Defendendo a necessidade de preservar a integração europeia, Seguro afirmou que tal significa a Europa «decidir a tempo e horas, ganhar autonomia em áreas como a defesa e a energia, ser mais competitiva e responder com urgência a problemas sociais comuns, como a habitação e a carestia de vida».
Na mesma linha em que advertiu que a Europa arrisca-se a perder a confiança das novas gerações, até porque não tem o direito de lhes exigir «que se contentem com as conquistas das anteriores», o Presidente da República alertou que «uma Europa que não consegue financiar as prioridades que proclama, que perde capacidade industrial e tecnológica e que depende de terceiros para garantir bens essenciais à sua segurança» também se arrisca a «perder a liberdade de decidir o seu próprio destino».
«Por isso, precisamos de uma Europa que faça escolhas. Que invista na sua defesa. Que recupere capacidade de produzir e inovar. Que mobilize os recursos necessários para competir. Que trate a habitação, o emprego e as oportunidades dos jovens como questões centrais da confiança democrática», declarou.
Para facilitar a tomada de decisões, defendeu a necessidade de a UE revisitar a regra da unanimidade exigida em vários domínios da política comunitária e considerou fundamentais as cooperações reforçadas abertas, mecanismo através do qual um conjunto de Estados-membros pode avançar em termos de integração ou legislação quando não há unanimidade entre os 27.
«Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Mas temos de decidir o que é essencial e deixar de adiar aquilo que sabemos ser indispensável», prosseguiu, recordando que se aproxima um ciclo eleitoral, em vários Estados-membros da UE, «que poderá definir a orientação da Europa durante muitos anos», num contexto em que os nacionalismos ameaçam a cooperação e integração europeia.
«Os cidadãos decidirão livremente. A nossa responsabilidade é garantir que encontram uma Europa capaz de responder às suas inquietações, sem lhes prometer soluções fáceis nem esconder a dimensão dos desafios», apontou, fazendo votos, na conclusão da sua intervenção, para «que este seja o tempo da coragem política, da responsabilidade e da ação».
FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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