Sociedade Volta propõe mais pontos de recolha para aliviar pressão nos supermercados
SOCIEDADE
Alargar a rede de recolha de embalagens a zonas ainda pouco servidas, instalar soluções em locais de grande circulação, como aeroportos e terminais rodoviários, e reforçar a cooperação com as autarquias são algumas das medidas propostas pela SDR Portugal para melhorar o funcionamento do sistema Volta.
O plano, enviado ao Governo na sexta-feira, 16 de outubro, pretende também responder aos problemas de lixo espalhado nas ruas, que já motivaram queixas de autarcas de várias cidades, incluindo Faro.
A entidade gestora do sistema de depósito e reembolso de embalagens apresentou à ministra do Ambiente e Energia um plano de cooperação com os municípios e outras entidades, procurando melhorar a recolha de embalagens e a limpeza dos espaços públicos.
O documento surge na sequência de um pedido feito pela ministra Maria da Graça Carvalho a 30 de setembro, que deu à SDR Portugal até 16 de outubro para apresentar soluções para os problemas associados ao funcionamento do Volta.
Desde a entrada em funcionamento do sistema, em abril, têm surgido queixas relacionadas com a acumulação de resíduos na via pública, sobretudo nas grandes cidades.
A procura de embalagens com depósito nos contentores de lixo, por pessoas que pretendem receber os 10 cêntimos pagos por cada unidade devolvida, tem levado à abertura de sacos e à dispersão do seu conteúdo nas ruas.
Uma das principais propostas da SDR Portugal passa por facilitar o acesso da população aos pontos de recolha, reduzindo a concentração de utilizadores nas máquinas instaladas junto dos supermercados.
A entidade defende o alargamento das soluções disponíveis a zonas do país onde a rede ainda é insuficiente, procurando tornar a devolução de embalagens mais acessível.
Outra das medidas previstas consiste em reforçar a presença do sistema em espaços de elevada circulação de pessoas, nomeadamente terminais de transportes aéreos e terrestres.
A intenção é criar alternativas aos pontos de recolha atualmente existentes e distribuir melhor a procura, evitando que esta se concentre nos estabelecimentos comerciais.
A falta de locais de devolução tem sido uma das críticas dirigidas ao Volta, especialmente em concelhos do interior, onde as distâncias até às máquinas podem dificultar a utilização do sistema.
O plano apresentado ao Governo aposta também numa maior articulação entre a SDR Portugal, os municípios, as juntas de freguesia e os Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU).
A entidade pretende definir formas de cooperação que permitam melhorar a recolha das embalagens e responder aos problemas de limpeza urbana associados ao sistema.
Segundo a SDR Portugal, o documento procura «reforçar a eficácia do sistema e aprofundar a articulação entre os diferentes intervenientes com responsabilidades na gestão de resíduos, limpeza urbana e gestão do território».
As propostas estão organizadas em quatro eixos estratégicos e 14 medidas, complementados por um eixo transversal dedicado à governação e à monitorização.
A associação sublinha que o plano também clarifica as suas competências e os limites legais da sua intervenção, tendo em conta que a limpeza urbana e a gestão dos resíduos envolvem diferentes entidades.
Outra preocupação identificada pela SDR Portugal prende-se com os efeitos sociais que têm acompanhado a implementação do sistema.
A entidade propõe uma atuação conjunta com os seus parceiros para «responder a alguns dos impactos sociais que têm sido observados».
Entre os problemas mais visíveis está a procura de embalagens depositadas nos contentores de lixo indiferenciado e de reciclagem, uma prática que tem provocado a dispersão de resíduos na via pública.
Esta situação tem suscitado críticas de autarcas, comerciantes e moradores, sobretudo em zonas urbanas onde o fenómeno é mais frequente.
Os presidentes de municípios como Lisboa, Porto, Faro e Funchal já manifestaram preocupações com as consequências do sistema para a limpeza das cidades.
As dificuldades de acesso aos pontos de devolução e a pressão sobre os equipamentos disponíveis também têm alimentado a contestação.
O descontentamento levou mesmo à criação de uma petição que pede o fim do Volta e que já reuniu dezenas de milhares de assinaturas.
A apresentação do plano coincidiu com a semana em que o Volta atingiu a marca de 500 milhões de embalagens recolhidas, segundo os dados divulgados pela SDR Portugal.
O sistema funciona através do pagamento de um depósito de 10 cêntimos na compra de determinadas bebidas em embalagens de plástico, valor que é devolvido ao consumidor quando entrega a embalagem num ponto de recolha.
O objetivo é incentivar a devolução das embalagens e aumentar a quantidade de materiais encaminhados para reciclagem.
Apesar dos resultados de recolha anunciados, a implementação do Volta tem sido acompanhada por dificuldades operacionais e críticas aos efeitos que está a produzir no espaço público.
Com o plano agora enviado ao Governo, a SDR Portugal procura responder a essas preocupações através de uma rede mais acessível, de novas soluções de devolução e de uma colaboração mais estreita com as autarquias.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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