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O Alfredo foi para a cidade, mas os sons não

OPINIÃO

O Alfredo foi para a cidade, mas os sons não
Por Pedro Lemos 

Alfredo é uma criança de 12 anos que nasceu e viveu na Serra da Lousã. Quando tinha 12 anos, os pais mudaram-se para a cidade grande – para trás ficaram as paisagens, uma ideia de infância, os sons que lhe pautavam o quotidiano que, então já citadino, decidiu resgatar. E guardar em caixinhas.

São “Memórias Ressonantes” que Alfredo coloca, de certa forma, em confronto: os ambientes sonoros do presente de um lado; as paisagens sonoras em perigo de extinção no outro.

Alfredo é apenas uma personagem, mas houve alguém de carne e osso que quis que se tornasse matéria palpável de um espetáculo. Chama-se João Costa.

«Gosto dessa ideia de memória sonora coletiva», explica, ao Sul Informação, o diretor artístico da companhia “Mãozorra”.

Com base nisso – e no livro “Xisto”, de Manuel Gonçalves – nasceu um espetáculo de objetos, de sons e de «uma forte componente narrativa» que vai estrear esta sexta-feira, 23 de Outubro, às 10h30, no espaço da Mãozorra, na antiga escola primária de Barão de São Miguel, concelho de Vila do Bispo.

«Acabamos por falar também sobre o uso excessivo dos telemóveis, do impacto que isso tem na relação com o outro, com a natureza», diz.

Durante cerca de 30 minutos, ecoarão sons de uma máquina a vapor, uma máquina de escrever, badalos de cabras.

«É um convite a parar, a escutar e a reconhecer sonoridades que pertencem à nossa memória», reconhece João Costa.

O espetáculo, que foi criado para o cineteatro itinerante da Mãozorra, vai agora ter a sua “estreia” numa versão de sala. Além da sessão de hoje, há outra marcada para sábado, dia 24, a partir das 19h00.

“Memórias Ressonantes” marca também o início da nova temporada de programação regular da companhia algarvia que se estenderá até Maio, com Alfredos e muito mais para contar – e ouvir.

Pedro Lemos

Poucas coisas me dão mais gozo na vida do que sentar-me frente a frente com uma pessoa, olhar-lhe nos olhos, escutá-la e ouvir a sua história para depois a verter num texto. Acho que isso diz tudo sobre como vejo e encaro isto do jornalismo, onde ando há quase 10 anos. Sou o Pedro.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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