SOCIEDADE: Fotografias mostram “Portugal Profundo” em Portimão

Publicada em: 06/04/2026 13:24 -

Uma exposição fotográfica de Marques Valentim e António Marreiros vai dar a conhecer o “Portugal Profundo”, em Portimão, a partir do dia 11 de Abril, na Casa Manuel Teixeira Gomes.

A exposição retrata vidas e lugares nas décadas de 60 a 80 do século XX.

«As imagens conduzem o visitante por territórios, mais ou menos afastados dos grandes centros urbanos e do desenvolvimento litoral, que preservam ritmos próprios e uma ligação profunda à sua matriz rural», lê-se na nota de apresentação.

Marques Valentim traz um conjunto de fotografias, a maior parte inéditas, captadas em lugares que vão do interior norte do país, até ao Alentejo. Ao longo desse percurso, revela modos de vida, gestos e práticas quotidianas profundamente enraizados na terra.

A estes retratos contrapõem-se os de António da Silva Marreiros, captados na Mexilhoeira Grande, freguesia rural onde cresceu, e nas suas imediações. Nas imagens é possível ver a diversidade de atividades e práticas, enraizadas nas tradições locais e fixadas pela sua lente, reflete a proximidade da costa e a atração exercida pelas paisagens marítimas e ribeirinhas.

De acordo com o Município de Portimão, estas imagens constituem também uma forma de reconhecer geografias e paisagens, de evocar as suas gentes e de valorizar a herança patrimonial.

Não se limitando ao interior da Casa Manuel Teixeira Gomes, a mostra integra ainda seis imagens colocadas na fachada exterior do edifício, impressas em ‘telas’ de grande dimensão e iluminadas durante a noite.

Sul Informação

Nascido em Cascais, em 1949, Marques Valentim frequentou o curso de Fotografia e Cinema nos Serviços Cartográficos do Exército, em Lisboa. Posteriormente, cumpriu o serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano foto-cine.

Iniciou a sua carreira no fotojornalismo após o 25 de Abril de 1974, colaborando com a Agência Europeia de Imprensa e com o diário A Luta, onde permaneceu até à sua extinção, em 1979. Integrou a equipa fundadora do Correio da Manhã e, mais tarde, trabalhou no Portugal Hoje, até ao encerramento deste matutino, em 1982.

Em 2001, foi distinguido com uma menção honrosa atribuída pela revista Visão, no âmbito do seu prestigiado concurso de fotojornalismo.

António da Silva Marreiros foi um artista que conciliou o ofício de barbeiro com a fotografia, a poesia e a pintura. Filho de agricultores, nasceu no Sítio de São Pedro, na Mexilhoeira Grande, a 12 de janeiro de 1932.

Antes dos 14 anos, partiu para Portimão para aprender a profissão de barbeiro, procurando afastar-se do trabalho agrícola. Foi na barbearia de Valentim Dias que estabeleceu o primeiro contacto com a fotografia, influenciado pelo seu patrão, que acumulava as duas atividades.

Aos 23 anos, abriu a sua própria barbearia na Mexilhoeira Grande e, dois anos depois, perante a escassez de trabalho diário, começou a dedicar-se à fotografia.

Tornou-se, desde então, o principal fotógrafo da freguesia, registando casamentos, batizados e outras celebrações, mas também as paisagens, as gentes, as atividades e as tradições locais, estendendo o seu olhar às geografias envolventes.

A exposição “Portugal Profundo” tem entrada livre e poderá ser visitada até 30 de Maio.

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