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OPINIÃO: Preparar as pessoas e as comunidades para o calor extremo

Publicada em: 07/07/2026 07:32 -

Por Cláudia Oliveira e Tânia Xavier

Temos sido confrontados com os alertas para o calor extremo, em diversas zonas do país. Contudo, apesar dos avisos recorrentes continuam a verificar-se hospitalizações e mortes que, em muitos casos, poderiam ser evitadas através de medidas simples de prevenção e de uma comunidade mais preparada.

Fruto das alterações climáticas, as ondas de calor tornaram-se cada vez mais frequentes, representando um risco real para as populações. Por definição, uma onda de calor corresponde a um período de vários dias consecutivos, de dias e noites, em que a temperatura local se mantém anormalmente elevada para uma determinada região.

Importa salientar que mesmo as ondas de calor de baixa ou moderada intensidade podem afetar a saúde e o bem-estar das populações mais vulneráveis (OMS, 2026).

Perante as ondas de calor, o aumento da temperatura deixa de representar apenas uma fonte de desconforto, para passar a constituir um risco concreto para a saúde. Os seus efeitos vão muito além do mal-estar geral, podendo agravar doenças pré-existentes, sobretudo cardiovasculares, respiratórias e renais, aumentar o risco de desidratação e desencadear exaustão fisiológica gerada pelo calor, situação que, nos casos mais graves, pode evoluir para falência multiorgânica e morte.

O envelhecimento da população, a crescente prevalência de doenças crónicas e a intensificação das alterações climáticas tornam  as pessoas e as comunidades progressivamente mais vulneráveis aos efeitos adversos das ondas de calor. Além das pessoas portadoras de doença crónica, também as crianças, os idosos, as grávidas, as pessoas com condições habitacionais precárias, as pessoas com baixos rendimentos, os trabalhadores agrícolas, da construção civil e limpezas urbanas, carecem de especial atenção e medidas de proteção específicas.

Perante este cenário, é essencial implementar medidas de proteção a nível individual, mas também comunitário, de forma a promover a sensibilização, a prevenção e a ação coletiva.

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Entre as medidas individuais, destaca-se a importância de evitar a exposição solar durante os períodos de maior calor, permanecer em locais com sombra e manter as habitações frescas.

Para tal, recomenda-se abrir as janelas durante a noite, de modo a favorecer o arrefecimento dos espaços, e mantê-las fechadas durante o dia, assim como as persianas ou os estores, para limitar a entrada de calor.

Sempre que possível, deve privilegiar-se a utilização de ventoinhas ou de ar condicionado.

Para além das medidas anunciadas, convém reforçar a necessidade de manter o corpo fresco e hidratado, através da ingestão regular de água, evitando bebidas que promovam a desidratação, como as bebidas alcoólicas e o excesso de cafeína.

Recomenda-se ainda a utilização de roupas leves, folgadas e de cores claras, que podem ser humedecidas para ajudar a reduzir a temperatura corporal, bem como o uso de chapéus de abas largas, óculos de sol e protetor solar, usado de forma regular.

Como é um período propício a deslocações prolongadas, para gozo de férias, deve-se evitar igualmente a realização de viagens no período de maior calor ou estadias prolongadas em automóveis, que aumentam em grande escala o risco de golpes pelo calor.

Contudo, convém reforçar que as medidas individuais devem ser complementadas por uma ação comunitária que contribua para a promoção da solidariedade, a entreajuda e responsabilidade coletiva.

Numa onda de calor, gestos simples podem fazer a diferença: telefonar a um familiar, vizinho ou amigo, para verificar se tem meios e recursos disponíveis para ultrapassar uma onda de calor em segurança; aconselhar alguém a permanecer à sombra ou em espaços climatizados; ou doar roupa leve e fresca, preferencialmente de fibras naturais, chapéus e outros bens essenciais a associações locais ou juntas de freguesia, que apoiam pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

São pequenas ações que, quando multiplicadas por toda a comunidade, podem proteger os mais frágeis e salvar vidas.

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Importa também reconhecer o papel fundamental das autarquias e instituições que, além da sensibilização da população, fator este essencial para o aumento da literacia, podem implementar políticas e criar condições que reduzam a exposição ao calor extremo e proteja os grupos mais vulneráveis.

Entre as medidas possíveis, destaca-se a abertura de espaços climatizados em juntas de freguesia ou centros comunitários; a disponibilidade de maior número de sombras e bebedouros em espaços públicos; o reforço de informação em espaços como farmácias, centros de saúde, lares, escolas e associações; o acompanhamento regular de idosos em situação de vulnerabilidade e/ou isolados e a implementação de horários de trabalho adaptados aos profissionais que se encontram expostos ao calor.

É imprescindível uma ação conjunta que ajude a criar e a manter um conjunto de condições que possibilitem a prevenção, sendo que esta vai muito além da emissão de alertas.  

O calor extremo não pode continuar a ser encarado como uma fatalidade do Verão. Este é um fenómeno previsível, cada vez mais frequente e com impacto real na saúde das pessoas e das comunidades. Preparar a sociedade para enfrentar este desafio é uma prioridade de saúde pública e uma responsabilidade partilhada entre cidadãos, profissionais, instituições e decisores.

Cada gesto conta.

Cada pessoa pode fazer a diferença, como tal, seja um agente ativo, faça parte desta mudança.

Referências: Organização Mundial da Saúde (2026). Climate Changes: Heat and health – Key facts. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/climate-change-heat-and-health

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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