O Festival Músicas do Mundo (FMM) instala-se na costa alentejana, em Porto Covo e Sines, a partir de hoje e até 25 de Julho, oferecendo 38 concertos de artistas de quatro continentes e outras atividades culturais e sociais.
Naquela que é a primeira edição do FMM com Álvaro Beijinha (CDU) na liderança da autarquia de Sines, o número de concertos foi reduzido (menos 11 do que no ano passado), mantendo-se os mesmos nove dias de festival.
A ausência mais notada é de artistas dos países africanos de língua oficial portuguesa, presença assídua noutras edições do FMM. Mesmo o Brasil, que costuma enviar uma comitiva de músicos, será representado apenas por Otto (dia 24).
Em declarações à Lusa aquando da apresentação da programação completa do FMM, em maio, o diretor artístico e de produção, Carlos Seixas, assumiu a «lacuna», mas garantiu que «não foi propositada», prometendo que, no próximo ano, «vai ser completamente diferente» e virão ao FMM «alguns dos nomes mais populares» da música africana lusófona.
Já a representatividade portuguesa mantém-se expressiva, com os regressos de Bruno Pernadas, que abre o festival, hoje à noite, A garota não (dia 24) e Vitorino Salomé (dia 25), acompanhado pelo Grupo de Cantadores de Redondo, e a estreia de The Legendary Tigerman, em Porto Covo, no domingo.
RESSOA-Ecos do Mundo (dia 21), Filipe Sambado (dia 22), Duques do Precariado e RS Produções (dia 23), Lavoisier e Pedro da Linha (dia 24) e Unsafe Space Garden (dia 25) fecham o contingente nacional.
Esta 26.ª edição do FMM – festival financiado pela Câmara Municipal de Sines – acolhe artistas de Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália, Jamaica, Mali, Marrocos, Nigéria, Palestina, Peru, Portugal, República Democrática do Congo, Reino Unido, Senegal, Togo e Tunísia.
Entre outros, regressam ao festival os congoleses Konono Nº1 e os palestinianos Le Trio Joubran, enquanto a napolitana La Niña, a espanhola Lia Kali, os franceses Super Parquet, o maliano Mádé Kuti, neto de Fela Kuti, a cubana Orquesta Akokán e o jamaicano Julian Marley, filho de Bob Marley, se estreiam nos palcos do FMM.
Como habitualmente, o arranque acontece no Largo Marquês de Pombal, em Porto Covo, onde o festival permanece até domingo.
Hoje, subirão ao palco o português Bruno Pernadas (21:00) e a orquestra britânica TC & The Groove Family (22:30).
No sábado, o alinhamento será triplo, com o músico cubano Emilio Moret (21:00), a banda tuaregue Tamikrest (22:15) e o grupo eslovaco Tolstoys (23:30).
O FMM despede-se de Porto Covo no domingo, com as atuações do senegalês Momi Maiga (21:00) e do português The Legendary Tigerman (22:30).
Mudando-se para Sines, dias 20 e 21 de julho são dias de transição, com momentos musicais distribuídos pelo Centro de Artes de Sines, pelo Pátio das Artes e pelo Largo Poeta Bocage.
A partir de dia 22, o cartaz enche-se de artistas consagrados e novos talentos, entre os palcos do Castelo e da marginal de Sines.
«O Festival de Sines não deixa de ser o grande ponto de encontro dos amantes da música. As características e a filosofia do festival mantêm-se», destacou Carlos Seixas.
A mudança política na autarquia de Sines (que voltou a ser conquistada pela CDU nas últimas autárquicas) não teve impacto no festival, que se «mantém com toda a aceitação da parte do executivo [camarário]», garantiu, em maio.
«A produção de festivais enfrenta desafios em todo o mundo, logísticos, financeiros, e é sem precedentes neste caso», vincou, acrescentando que «a instabilidade climática, política, energética, tornou os eventos mais caros e complexos», disse Carlos Seixas, confirmando que teve de deixar cair alguns nomes, sobretudo devido ao aumento do preço dos transportes e à instabilidade das rotas aéreas.
«Está tudo mais complicado, mas continuamos a ser um ato de resistência», sublinhou.
Além dos concertos, o FMM oferece um programa de iniciativas paralelas, com cinema documental, espetáculos para a infância, debates, oficinas, sessões de narração oral, encontros com músicos, visitas aos bastidores, uma feira do disco, do livro e do cartaz e apresentações de livros, entre os quais “Faz de Conta”, obra do músico e compositor Júlio Pereira dirigida ao público infanto-juvenil.
Entre as atividades de divulgação científica e ligadas à natureza será feito um percurso de “plogging”, prática sustentável que alia o exercício físico à recolha de lixo abandonado em espaços públicos, pela freguesia de Porto Covo (sábado, às 9h30).
Obras de arte resultantes do lixo recolhido ao longo de vários anos nas praias da costa alentejana vão estar patentes na exposição “Waste 2 Arte”, da autoria do fotógrafo e recoletor Nuno Antunes, no Parque Cultural e Regenerativo Casas da Ilha, em Porto Covo.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO
