CCMAR ajuda Europa a preparar nova geração de observatórios do oceano
CIÊNCIA
O Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) representam Portugal num novo projeto europeu que pretende transformar a forma como o oceano profundo é observado e acompanhado a longo prazo. O EMSO EVOLVE junta 19 organizações de dez países e quer preparar, até 2035, a próxima geração da infraestrutura europeia de observação oceânica.
O projeto, financiado pelo programa Horizonte Europa, foi lançado esta semana, em Roma, e terá quatro anos para definir uma nova estratégia de monitorização dos mares europeus e do oceano aberto. Em vez de uma observação concentrada em locais isolados, a intenção é avançar para uma abordagem integrada à escala das grandes sub-bacias oceânicas.
A participação do CCMAR, sediado na Universidade do Algarve, coloca a investigação feita na região algarvia numa rede que procura compreender melhor algumas das transformações mais importantes que estão a ocorrer no oceano, incluindo no Atlântico.
Uma das razões para o investimento nesta rede é precisamente aquilo que ainda não se conhece sobre as regiões mais profundas. Apesar de o oceano desempenhar um papel decisivo na regulação do clima e na absorção de calor e dióxido de carbono, tanto as grandes profundidades como a coluna de água permanecem entre os ambientes menos observados do planeta.
Enquanto os satélites permitem acompanhar sobretudo o que acontece à superfície, os observatórios instalados no próprio oceano conseguem recolher, de forma continuada e durante anos, informação desde o fundo marinho até à superfície.
O EMSO EVOLVE vai concentrar-se em quatro grandes áreas: variabilidade climática e oceânica, riscos geológicos, perda de biodiversidade e ciclo do carbono, aquecimento e acidificação do oceano profundo.
Para estudar fenómenos desta natureza, os investigadores consideram muito importantes as séries de dados recolhidas ao longo de períodos prolongados.
O projeto não começa do zero. Desde 2016, a infraestrutura do EMSO ERIC conta com 14 instalações regionais distribuídas por 21 locais, desde os mares nórdicos ao Mar Negro e ao Atlântico. Esta rede consegue recolher cerca de 125 variáveis in situ, entre o fundo do mar e a superfície.
Portugal já participa neste esforço de observação. «A contínua monitorização desde 2020 de parâmetros físicos e biogeoquímicos na coluna de água é uma iniciativa conjunta do CCMAR e do IPMA, coordenada por este último no âmbito do EMSO-PT […] e com a colaboração de vários parceiros», explica Paulo Relvas, oceanógrafo físico do CCMAR.
Carlos Sousa, Regional Team Leader da Iberian Margin Regional Facility, no IPMA, salienta que o novo projeto permitirá não apenas prosseguir este trabalho, mas também reforçar a formação e a utilização dos dados recolhidos.
«O EMSO EVOLVE não só permite a continuidade destas operações como traz uma componente de formação acrescida que pretende reforçar a necessidade de integração e acesso a essa informação quer pela ciência quer pelas entidades que exploram ou utilizam o Oceano nas suas atividades», afirma.

Dados do fundo do mar disponíveis gratuitamente
Um dos princípios da infraestrutura europeia é facilitar o acesso à informação. Os dados do EMSO são disponibilizados de forma gratuita online e os investigadores podem também solicitar acesso físico aos observatórios.
Nos próximos quatro anos, o EMSO EVOLVE pretende ainda modernizar os serviços digitais e tornar os dados interoperáveis com outras grandes iniciativas europeias, como o Copernicus, EMODnet e Digital Twin of the Ocean. Está também prevista a criação da EMSO Academy como programa permanente de formação e capacitação.
O projeto está a decorrer desde o passado mês de setembro até agosto de 2030 e dispõe de um orçamento global de 4,99 milhões de euros, dos quais 3,99 milhões são assegurados pela União Europeia através do Horizonte Europa. O consórcio reúne 19 organizações de dez países e é coordenado pelo EMSO ERIC, com sede em Roma.
No encontro de lançamento, que decorre durante três dias na capital italiana, os parceiros vão definir a governação do projeto, analisar as expectativas da Comissão Europeia, estabelecer objetivos e resultados para os diferentes grupos de trabalho e aprovar o plano de ação para o primeiro ano.
O objetivo de longo prazo é que, até 2035, o EMSO se afirme como a principal infraestrutura europeia dedicada à observação continuada do oceano, permitindo compreender melhor alterações que, muitas vezes, começam muito longe daquilo que os satélites conseguem ver.
FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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