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Setembro bateu recordes de calor e deixou Portugal quase sem chuva

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Setembro bateu recordes de calor e deixou Portugal quase sem chuva

O passado mês foi o Setembro mais quente dos últimos 95 anos em Portugal Continental e o quinto mais seco desde 2000, revelou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no seu Boletim Climatológico.

Com temperaturas máximas que chegaram aos 44,2 graus em Alcácer do Sal, duas ondas de calor, dezenas de novos recordes de temperatura e uma precipitação que não ultrapassou 30% do habitual, o primeiro mês do Outono ficou marcado por condições meteorológicas extremas.

Segundo o resumo do Boletim Climatológico de Setembro, agora divulgado, o mês foi classificado pelo IPMA como «extremamente quente e muito seco», tendo registado a temperatura média mais elevada desde 1931, ano em que começou a série histórica considerada.

 
 
 

A temperatura média do ar atingiu os 23,41 graus Celsius, um valor 2,91 graus acima da média do período de referência de 1991-2020. Este resultado ultrapassou o anterior recorde, registado em Setembro de 2018, quando a temperatura média foi de 23 graus.

Mas foi sobretudo nas temperaturas máximas que Setembro passado se destacou. A média das temperaturas máximas chegou aos 31,03 graus, ou seja, 4,21 graus acima do valor considerado normal para esta altura do ano.

Trata-se também do valor mais elevado desde 1931, ultrapassando os 30,21 graus registados em setembro de 2018.

Já a temperatura mínima média foi de 15,79 graus, ficando 1,60 graus acima do normal. Segundo o IPMA, este foi o quarto valor mais elevado desde 1931 e o mais alto desde 2000. O recorde absoluto das temperaturas mínimas médias de setembro continua a pertencer a 1987, quando se registaram 16,78 graus.

Os dados confirmam que o calor excecional não se limitou a episódios isolados, tendo influenciado as temperaturas de todo o mês.

Sul Informação

 

Termómetros chegaram aos 44,2 graus em Alcácer do Sal

Um dos valores mais significativos de Setembro foi registado no Alentejo, mais precisamente em Alcácer do Sal, onde os termómetros chegaram aos 44,2 graus Celsius no dia 3.

Esta foi a temperatura máxima absoluta mais elevada registada em Portugal Continental durante o mês, de acordo com o levantamento do IPMA.

O valor é ainda mais significativo por ter ocorrido já em Setembro, numa altura em que os dias começam a encurtar e as temperaturas tendem, habitualmente, a diminuir.

No extremo oposto, a temperatura mais baixa do mês foi registada em Lamas de Mouro, no distrito de Viana do Castelo, onde os termómetros desceram aos 3 graus no dia 25.

O IPMA contabilizou ainda dezenas de novos extremos de temperatura para setembro: «18 na mínima e 15 na máxima», segundo o Boletim Climatológico.

No total, foram assim registados 33 novos valores extremos mensais de temperatura nas estações meteorológicas consideradas.

Setembro ficou também marcado por duas ondas de calor, que atingiram diferentes regiões do território continental.

A primeira ocorreu entre os dias 2 e 7, afetando sobretudo o interior Norte do país.

A segunda foi bastante mais abrangente e prolongada, tendo ocorrido entre 18 e 27 de setembro.

De acordo com o IPMA, esta segunda onda de calor teve «uma duração de 6 a 10 dias» e foi identificada em «72% das estações do IPMA, abrangendo grande parte do território continental».

Isto significa que quase três quartos das estações meteorológicas da rede considerada registaram condições que cumprem os critérios climatológicos de onda de calor.

Uma onda de calor não corresponde apenas à ocorrência de um ou dois dias muito quentes. Em termos climatológicos, implica a persistência, durante pelo menos seis dias consecutivos, de temperaturas máximas superiores em pelo menos cinco graus à média diária do período de referência.

A dimensão territorial e a duração da segunda onda de calor contribuíram decisivamente para que setembro de 2026 se tornasse o mais quente da série histórica.

Sul Informação

Choveu apenas 30% do habitual

Se as temperaturas foram muito elevadas, a precipitação apresentou também um comportamento preocupante, mas no sentido oposto.

Segundo o IPMA, Setembro de 2026 foi o quinto Setembro mais seco desde 2000.

A precipitação média acumulada em Portugal Continental ficou-se pelos 12,7 milímetros, o equivalente a apenas 30% do valor normal para o mês, tendo como referência o período de 1991-2020.

Ou seja, faltaram cerca de 70% da chuva que seria habitual nesta altura do ano.

O boletim sublinha que o total mensal foi «muito inferior ao valor normal 1991-2020», confirmando o carácter muito seco do mês.

Apesar disso, Setembro de 2026 não bateu o recorde de falta de chuva deste século. Esse continua a pertencer a Setembro de 2017, quando a precipitação média mensal foi de apenas 2 milímetros.

A conjugação de temperaturas muito elevadas e precipitação reduzida criou condições favoráveis à seca dos solos, particularmente nas regiões onde a chuva foi mais escassa.

Daí que o IPMA assinale que, no final do mês, se verificou «uma ligeira diminuição da água disponível no solo, sobretudo nas regiões Centro e Oeste».

Este indicador é importante para avaliar as condições de humidade dos terrenos, nomeadamente no que respeita à vegetação e às atividades agrícolas.

As temperaturas elevadas favorecem a evaporação da água existente no solo e aumentam as necessidades hídricas das plantas. Quando estas condições são acompanhadas por precipitação muito inferior ao normal, a reposição da humidade torna-se mais difícil.

Os dados revelam, assim, um mês marcado por um desequilíbrio acentuado entre o calor e a precipitação.

Apesar do predomínio do tempo quente e seco, Setembro registou também alguns episódios de precipitação e vento intenso.

O maior valor de precipitação acumulada em 24 horas foi observado em Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, onde caíram 53,2 milímetros no dia 29.

Este valor contrasta com a reduzida precipitação média mensal do conjunto do território continental e demonstra que a chuva esteve distribuída de forma desigual.

Quanto ao vento, a rajada mais forte do mês foi registada no Cabo da Roca, no concelho de Sintra, também no dia 29, atingindo os 91,8 quilómetros por hora.

Sul Informação

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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