Ambiente Europa teve segundo Outubro mais quente de sempre e seca persistiu
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A Europa registou, em 2026, o segundo mês de outubro mais quente desde que há registos, com temperaturas 1,49 graus Celsius acima da média, enquanto a seca continuou a afetar várias regiões do continente, incluindo o oeste da Península Ibérica, onde se situa Portugal.
Os dados são do Copernicus Climate Change Service (Serviço de Alterações Climáticas Copernicus), que revela também que outubro foi o mais quente de sempre à escala mundial.
Segundo o boletim divulgado pelo Copernicus, a temperatura média do ar sobre o território europeu atingiu os 11,51°C em outubro, um valor 1,49°C superior à média do período de referência de 1991 a 2020.
Foi o segundo outubro mais quente de sempre na Europa, apenas ultrapassado pelo mesmo mês de 2022, quando a anomalia térmica atingiu os 1,92°C.
O calor fez-se sentir com maior intensidade na Escandinávia e no extremo leste europeu, enquanto grande parte da Europa Ocidental e Central apresentou temperaturas mais próximas dos valores habituais para esta época do ano.
Esta distribuição contrasta com o que aconteceu em setembro e durante boa parte do verão, quando as temperaturas elevadas tiveram maior expressão no oeste europeu.
Em sentido contrário, os Balcãs meridionais, a Grécia, o Mediterrâneo Oriental e o oeste da Turquia registaram temperaturas abaixo da média.
Seca no oeste da Península Ibérica e caudais baixos nos grandes rios
Além das temperaturas elevadas, outubro ficou marcado por condições de seca em várias regiões da Europa.
O Copernicus identifica o oeste da Península Ibérica, que inclui Portugal continental, entre as áreas onde a precipitação ficou abaixo da média.
As condições mais secas do que o habitual estenderam-se a partes de França, ao centro e leste da Europa, incluindo o leste da Alemanha e a Polónia, a grande parte dos Balcãs e da Itália peninsular, bem como a uma vasta área do oeste da Rússia.
Os efeitos da falta de precipitação continuaram a fazer-se sentir nos caudais de alguns dos principais rios europeus.
Segundo o Copernicus, persistiram «caudais excecionalmente baixos» em grande parte da Europa Central e Oriental, afetando rios como o Reno, o Danúbio e o Vístula.
Em contrapartida, a precipitação acima da média atingiu o leste da Península Ibérica, a Islândia, o Reino Unido e a Irlanda, grande parte de França e da Alemanha, o sul da Escandinávia, a região noroeste do mar Negro, a Grécia e a Turquia.
O mês ficou também marcado por episódios de chuva intensa e inundações em vários países, incluindo Espanha, Reino Unido, Irlanda, Grécia e Turquia.
Em algumas zonas da Europa Ocidental, a precipitação permitiu uma recuperação dos caudais dos rios em comparação com setembro. Já no sudoeste da Rússia, a anomalia de precipitação negativa agravou-se.
Temperatura dos oceanos bate recorde
À escala mundial, outubro de 2026 foi o mais quente desde que há registos, com uma temperatura média do ar à superfície de 15,35°C.
Este valor representa uma anomalia de 0,90°C em relação à média de 1991-2020 e de 1,75°C face ao período pré-industrial de 1850-1900.
Foi o terceiro mês consecutivo em que a temperatura média global ultrapassou em mais de 1,5°C os valores pré-industriais.
As projeções do Copernicus indicam que 2026 deverá tornar-se o segundo ano civil a ultrapassar esse limiar, depois de 2024.
Com base nos dados disponíveis até outubro, o serviço europeu estima que a temperatura média global de 2026 fique entre 1,56°C e 1,61°C acima dos valores pré-industriais.
O cenário é considerado «quase certo», o que, segundo o modelo estatístico utilizado, corresponde a uma probabilidade superior a 99%.
Existe uma probabilidade de cerca de 80% de 2026 terminar como o segundo ano mais quente de sempre e de 20% de igualar ou ultrapassar 2024, que detém o recorde.
O Copernicus prevê ainda que a temperatura média global dos quatro anos entre 2023 e 2026 ultrapasse os 1,5°C acima do nível pré-industrial.
Este resultado não significa, por si só, que o limite de aquecimento de 1,5°C previsto no Acordo de Paris tenha sido ultrapassado de forma definitiva, uma vez que esse objetivo é avaliado numa escala temporal de longo prazo, e não apenas com base em anos isolados.
El Niño intensifica o aquecimento provocado pelas atividades humanas
O aquecimento dos oceanos foi outro dos destaques do relatório. A temperatura média da superfície do mar, fora das regiões polares, atingiu os 20,95°C em outubro, o valor mais elevado alguma vez registado para este mês, ultrapassando o anterior máximo de 2023.
Segundo o Copernicus, o fenómeno El Niño, que se tem intensificado no Pacífico tropical, está a contribuir para as temperaturas elevadas registadas em 2026.
O El Niño é um fenómeno natural de variabilidade climática, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais de uma vasta região do Pacífico equatorial. Pode provocar alterações nos padrões de circulação atmosférica e contribuir para o aumento temporário da temperatura média global.
Na região Niño 3.4, utilizada para acompanhar a evolução do fenómeno, a temperatura média da superfície do mar atingiu os 29,94°C, com uma anomalia de 3,21°C, ambos valores recorde.
Estes números ultrapassam os máximos observados durante os episódios de El Niño de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, considerados entre os mais intensos de que há registo.
Na Europa, as temperaturas da superfície do mar mantiveram-se em níveis recorde para outubro ao longo da costa atlântica e no Mediterrâneo Ocidental, contribuindo para o aquecimento das áreas terrestres adjacentes.
Samantha Burgess, responsável pela estratégia climática do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), sublinha que outubro prolongou um período de calor global excecional, marcado por recordes de temperatura do ar e dos oceanos.
«Um El Niño excecionalmente forte está a acrescentar mais calor a um clima já aquecido pelas atividades humanas», afirma.
Para a responsável, é significativo que não seja apenas 2026 a caminhar para um novo máximo térmico, mas que também a média dos últimos quatro anos deva ultrapassar o limiar de 1,5°C.
Este resultado, acrescenta, demonstra como o atual período de aquecimento global se tem prolongado.
Gelo marinho abaixo da média nos dois polos
O relatório revela ainda que a extensão do gelo marinho permaneceu abaixo da média tanto no Ártico como na Antártida.
No Ártico, a extensão do gelo em outubro foi cerca de 9% inferior à média, correspondendo ao 13.º valor mais baixo para este mês nos 48 anos de registos por satélite.
As maiores reduções de concentração de gelo ocorreram nos mares junto à costa norte da Eurásia, tendo o mar de Kara registado um mínimo histórico para outubro.
Na Antártida, a extensão do gelo marinho também ficou cerca de 9% abaixo da média, o segundo valor mais baixo para este mês, apenas ultrapassado pelo mínimo de 2023.
A redução foi mais acentuada no setor dos mares de Amundsen e Bellingshausen, associada à persistência de ventos de norte e a condições de temperatura acima do habitual.
Os dados agora divulgados integram o boletim climático mensal do Copernicus Climate Change Service (C3S), implementado pelo ECMWF no âmbito do programa de observação da Terra da União Europeia.
A análise baseia-se, entre outras fontes, nos dados ERA5, que permitem acompanhar a evolução das temperaturas, da precipitação, dos oceanos e do gelo marinho à escala global e regional.
Elisabete Rodrigues
Nasci em Lisboa, mas sou algarvia desde tenra idade. Foi em Lisboa que estudei Comunicação Social e foi também lá que iniciei a minha carreira, em 1985, n'«O Jornal». Passei pelas agências Notícias de Portugal e Lusa, e pelos jornais Independente, Diário de Notícias e Barlavento. Foi daí que saí para, com dois colegas, fundar, em setembro de 2011, o jornal online Sul Informação, do qual sou diretora. Já ganhei vários prémios de jornalismo, a maioria dos quais individualmente, mas também em equipa. Tenho ainda dado aulas a futuros jornalistas (e não só). Nos meus (poucos) tempos livres, dedico-me à fotografia, às caminhadas, à leitura ou simplesmente a não fazer nada, sendo capaz de estar meia hora a olhar para as folhas de uma árvore ou as nuvens do céu. Infelizmente, tenho muito pouco tempo para nada fazer...
FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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