Offline
Rádio RIO Odemira

Após vários dias de protestos pelo país o Presidente da República faz declaração sobre crise da habitação

SOCIEDADE

Após vários dias de protestos pelo país o Presidente da República faz declaração sobre crise da habitação

O Presidente da República António José Seguro defendeu esta terça-feira, 27 de outubro, a necessidade urgente de encontrar soluções para a crise da habitação, que está a deixar os jovens portugueses numa «geração bloqueada», e apelou ao diálogo, rejeitando a violência nos protestos.

O chefe de Estado admitiu que não gostou das imagens da manifestação de sábado, em Lisboa, mas sublinhou que é necessário aguardar pelas conclusões dos inquéritos à atuação policial.

«Desde que tomei posse que tenho chamado a atenção para a necessidade de dar respostas a uma geração bloqueada, aos jovens, e de pessoas que têm dificuldades em ter acesso à habitação. Esta é uma urgência. Mas a urgência não é do discurso, é de soluções concretas», afirmou António José Seguro.

O Presidente da República falava aos jornalistas no final de uma visita à Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), em Lisboa, ocasião em que anunciou que vai reunir-se amanhã, quarta-feira, com especialistas na área da habitação.

Seguro apontou três prioridades para enfrentar o problema: dinamizar o mercado de arrendamento, proteger as famílias mais vulneráveis e aumentar a construção de habitação a longo prazo.

«Nós, na habitação, temos três prioridades, do meu ponto de vista. Uma é dinamizar o mercado de arrendamento. Pode ser feito já, porque há uma série de casas, centenas, duas centenas de milhares de casas, pelo menos, que estão em condições de ser colocadas no mercado de arrendamento», considerou.

Outra preocupação é a proteção das pessoas mais vulneráveis, particularmente afetadas pela subida dos preços dos alimentos e pelo aumento do custo de vida.

A terceira prioridade, acrescentou, passa por uma política de construção de habitação a longo prazo, que permita aumentar a oferta e melhorar o acesso à compra ou ao arrendamento.

«Precisamos que as pessoas, todas as bolsas, designadamente pessoas com salário mínimo, possam ter condições ou de comprar uma casa, ou de arrendar uma casa», defendeu.

O chefe de Estado deixou ainda um desafio aos responsáveis políticos: «Pergunto: custa alguma coisa aos atores políticos, ao Parlamento e ao Governo, sentarem-se e encontrar as soluções perante esta urgência?».

Questionado sobre os acontecimentos registados na manifestação de sábado, em Lisboa, António José Seguro afirmou estar preocupado com as imagens divulgadas.

«A cultura portuguesa é uma cultura de diálogo. Não é uma cultura de violência, nem é uma cultura de confronto. Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado», declarou.

O Presidente considerou que os acontecimentos não correspondem ao que se espera de uma democracia consolidada.

«Não gostei do que vi tal como, estou convencido, a maioria dos portugueses, porque não são imagens normais para uma democracia consolidada», afirmou, apelando ao «diálogo como solução para os problemas e nunca a violência».

Seguro revelou que acompanha a situação desde a manhã de domingo e que tem procurado obter esclarecimentos sobre o sucedido. O assunto foi também abordado na reunião que manteve, na segunda-feira, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Questionado diretamente sobre se estava a condenar a atuação da PSP, o Presidente evitou antecipar conclusões.

«O que eu estou a dizer é que não gostei do que vi, porque a violência não faz parte da cultura portuguesa. Quanto à atuação das autoridades, estão a decorrer inquéritos. Os inquéritos devem apurar se houve desvios ao Estado de direito ou não», esclareceu.

António José Seguro insistiu que o papel do Presidente da República é exigir explicações, mas respeitar o trabalho das entidades responsáveis pela investigação.

«O Presidente da República deve respeitar esses inquéritos. Deve pedir todas as explicações, deve exigir todas as explicações — foi aquilo que eu fiz — e, naturalmente, deve aguardar pelos resultados. Ninguém julga antes de saber quais são os factos», concluiu.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

Comentários

Comentário enviado com sucesso!
Carregando comentários...