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Rádio RIO Odemira

OPINIÃO: Água é vida!

OPINIÃO: Água é vida!

Por Cristina Marreiros 

Depois de vários invernos secos, que deixaram as nossas reservas de água nas ruas da amargura, e de nos terem chamado a atenção para a importância de poupar esse líquido precioso, vivemos um inverno muito molhado. Choveu. Choveu muito. Em alguns sítios demasiado, até provocando inundações, causando estragos de monta.

Mas as barragens encheram. E quase nos esquecemos que há um ano estávamos mal, com pouquíssima água, a discutir o que se deveria fazer, como poupar água, como precaver o futuro. E agora até chove em Agosto.

Um inverno chuvoso e as gotas que têm caído nos últimos dias não são o fim do problema. Este é o pensamento que temos de ter. Tudo o que foi discutido e pensado é válido para os próximos anos. Temos de nos preparar para as alterações climáticas que aí estão e que impactam a nossa vida.

Contrariamente ao que diz aquele senhor que manda naquele país no outro lado do Atlântico. E se o nosso inverno nos tem deixado viver o verão com alguma quietude, o mesmo não podemos dizer de vários outros países europeus, do Reino Unido à Polónia, onde a inquietação devido à falta de água é grande, provocando grandes desconfortos, desde a produção de energia à agricultura, e obrigando a mudanças no dia a dia dos habitantes.

Por cá, discute-se a construção de uma dessalinizadora, que uns querem e outros nem tanto. Será mesmo esta a melhor a solução?

Os nossos conhecimentos nesta área não serão suficientes para uma resposta fiável, mas parece-nos que, para que a questão da água possa ser menorizada, há muito a fazer, para além da obra em curso.

A começar por uma verdadeira educação sobre esta questão. As próprias escolas deveriam ter no seu programa uma área onde os alunos possam ser alertados para a importância da água e ensinar formas de incentivar o seu uso com conta, peso e medida.

Como todos sabemos, os miúdos (filhos), devidamente alertados para estas questões, acabam por ser os ensinantes dos graúdos (pais). Assim o foi nas questões da reciclagem, assim poderá ser nesta importantíssima questão da gestão da água.

Muitas das canalizações usadas pela região são deficitárias, originando rupturas por onde se perde muito desse líquido valioso. Uma modernização das tubagens e melhor gestão dos sistemas poderia levar a grandes poupanças, ou melhor, evitar perdas de água.

Com certeza que esta atualização tem custos, mas existem tantos programas de apoio, PRR e outros, que com uma gestão mais centralizada, com um pensamento no Algarve e não nas respetivas capelinhas, se poderia aceder a fundos para melhorar infraestruturas básicas.

Há muito tempo que se fala da modernização das estações de tratamento de águas e a sua ligação a sistema de rega, quer para agricultura, quer para os campos de golfe. Esta será uma solução, que quando implementada irá permitir uma melhor gerência e utilização da água, que não podendo voltar para o consumo humano, pode muito bem ter uma segunda utilização, permitindo resguardar o uso da água para consumo.

A construção de ligações entre as diversas barragens e com o próprio Alqueva, permitindo monitorizar e planear o uso da água de forma mais racional, transferindo de uma barragem para outra consoante os caudais e as necessidades, poderia ser uma solução a ter em conta.

Continuar com as campanhas de alerta à população. Incluindo a campanha desenvolvida para alertar os turistas, e que tão bem feita estava.

Todas estas ideias, poderiam e deveriam, em nossa opinião, ser adotadas. A questão da água e a sua falta não será resolvida apenas e só com a construção da dessalinizadora. Esta será um penso rápido que irá retirar água do mar para que a possamos utilizar no nosso dia a dia.

Mas a que custo? O que fazer com o sal restante, que não podemos devolver ao oceano, pois iria alterar os níveis de salinidade e consequentemente pôr em risco toda a vida marinha? E quais os custos energéticos para a sua utilização? Quanto nos vai custar um copo de água no futuro?

Estas são questões que todos nos deveríamos pôr e pensar um pouco como um outro presidente norte-americano – o que podemos nós fazer pela nossa região? Como podemos contribuir? Todos os gestos, mesmo os mais simples, desde que na direção certa, podem ser traduzidos em grandes melhorias.

Não se deve brindar com água, dizem. Antes pelo contrário, devemos brindar com água. Água é vida!

Cristina Marreiros

Cristina Marreiros é Guia-Intérprete e presidente da Agigarve (Associação de Guias-Intérpretes do Algarve).

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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