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SOCIEDADE: Empresa quer novas praias vigiadas no litoral alentejano, com acessos e estacionamentos

SOCIEDADE: Empresa quer novas praias vigiadas no litoral alentejano, com acessos e estacionamentos

A Coporgest, promotora de um complexo turístico no concelho de Grândola, exigiu hoje a criação formal de novas praias vigiadas e concessionadas na costa alentejana, com uma rede de acessos e parques de estacionamento.

Em comunicado, a promotora do Comporta Beach Resort defendeu que, em vez da «concentração de multidões de utentes em poucos pontos», deve ser criada «uma rede de acessos e estacionamentos».

Segundo a empresa, que disse já ter transmitido a sua posição à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), esta rede deve ser acompanhada por «novas praias vigiadas e concessionadas».

É «urgente a implementação de decisões pragmáticas e inovadoras na gestão dos acessos e estacionamentos ao longo de toda a costa alentejana, começando por uma revisão inteligente dos instrumentos de planeamento», reclamou. 

A posição surge no âmbito de uma disputa com o Grupo Pestana relacionada com os acessos às praias das Camarinhas e da Duna Cinzenta, no concelho de Grândola.

Segundo noticia hoje o semanário Expresso, a promotora imobiliária Coportgest ameaça avançar com uma providência cautelar caso a APA altere o Programa da Orla Costeira (POC) Espichel-Odeceixe para criar mais 250 lugares de estacionamento junto à única entrada pública para as duas praias.

«Ambos os empreendimentos interditam o acesso às praias públicas pelo seu interior e em tempos a APA e o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] não autorizaram novos acessos e estacionamentos nas áreas dunares fora da área privada», pode ler-se. 

No comunicado hoje divulgado, a Coporgest argumentou que, a 18 de Julho, aquando da visita da ministra do Ambiente às praias do litoral alentejano, «o Grupo Pestana divulgou um comunicado onde afirmava ‘defender há mais de uma década uma solução integrada para acesso à Praia das Camarinhas», na zona das Comporta.

«A Coporgest considera que esta afirmação não corresponde à realidade dos factos», pois, «o Pestana Tróia tem diante de si a Praia das Camarinhas, cujo acesso foi vedado ao público há 12 anos».

Por isso, continuou, «só conseguem aceder a essa praia os proprietários e hóspedes do Pestana Tróia, como as autoridades bem sabem».

Já a Coporgest está a construir o Comporta Beach Resort, junto à Praia da Duna Cinzenta, localizada a norte das Camarinhas.

A empresa disse ter solicitado à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa um levantamento topográfico e o cálculo da lotação máxima da Duna Cinzenta.

E, com base nesses dados, incluiu no projeto a construção, em curso, de um parque de estacionamento subterrâneo de acesso público, com entrada direta pela estrada nacional e elevador para pessoas com mobilidade reduzida.

Segundo a empresa, o futuro estacionamento permitirá o acesso público à praia da Duna Cinzenta, mas os seus utilizadores, somados aos hóspedes do Comporta Beach Resort, esgotarão a lotação daquela praia.

A promotora imobiliária acusou o Grupo Pestana de pretender «construir um parque de estacionamento no extremo norte do seu ‘resort’», numa área que classifica como “zona verde de proteção”.

A intenção será «encaminhar o público para a Praia da Duna Cinzenta exceder a lotação desta e, sobretudo, afastar o público da ‘sua’ praia, consagrando definitivamente a escandalosa privatização da praia das Camarinhas», alegou.

Nesta tomada de posição, a empresa apelou às autoridades competentes para utilizarem os instrumentos jurídicos disponíveis, incluindo a expropriação ou a criação de servidão pública, «para impor a legalidade».

A Coporgest revelou ainda que já transmitiu à APA e ao Ministério do Ambiente que se irá opor ao projeto «por todos os meios ao seu alcance». 

«O parque de estacionamento das Camarinhas deve ser posicionado no terreno por forma a dar acesso efetivo a essa praia, e não a outras, como pretende o Pestana Tróia», disse.

Em declarações ao Expresso, o administrador do Pestana Tróia, José Roquette, disse «não ter conhecimento» de qualquer «guerra» ou disputa relacionada com este assunto.

FONTE: SUL INFORMAÇÃO

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